"Há dias que eu não sei o que me passa
Eu abro o meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol
Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão
Acordo de manhã, pão sem manteiga
E muito, muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
E eu chego a achar Herodes natural
Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão
Depois faço a loteca com a patroa
Quem sabe nosso dia vai chegar
E rio porque rico ri à toa
Também não custa nada imaginar
Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão
Aos sábados em casa tomo um porre
E sonho soluções fenomenais
Mas quando o sono vem e a noite morre
O dia conta histórias sempre iguais
Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão
Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: escute, amigo
Se foi pra desfazer, por que é que fez?
Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão"
(Cotidiano nº 2 , Toquinho)
E sigo meus dias sem torno de reflexões dos atropelos da minha vida.
Mulher de meia idade em crise! E sem violão. Nem tocar eu sei. Nem violão eu tenho. Também não estou optando pelos porres.
Pra ser franca, também não acho que todos estão bem e apenas eu estou mal. Felizmente já tenho passado dessa fase faz um tempo. Parei de ser picada pela questão da alta exposição às mídias sociais e acreditar nas fotos que todos mundo coloca.
Francamente, eu estou bem, dentro do que consigo fazer diariamente, há dias que mais, outros menos... Paciência.
Tomo remédio para ansiedade generalizada. Oh! Os gurus andam ganhando fortunas usando isso em suas palestras promentendo sei lá o quê, não cheguei a conclusão do tipo de solução que eles dão. Mas sempre tocam no assunto do mal do século e das patologias mentais, como depressão, ansiedade, pânico... não que eu esteja fazendo pouco desses problemas, ao contrário, eu os conheço muito bem e sei da possibilidade de paralisia que eles podem causar, chegam a falar mal de fármacos como se fossem só vilões. É notório que no Brasil, há um uso bem marcante de remédios para depressão e ansiolíticos, no entanto, é precisoeducar a classe médica, e não vilanizar completamente os fármacos e muito menos, com isso fazer com quem os tome se sinta mal por ter de fazê-lo.
A grande questão é que sempre que essas pessoas acham soluções milagrosas, tentam fazer com que as demais mortais que tomam medicamentos , pareçam fracas, sem vontade. É preciso tomar muito cuidado com isso. Fármacos são necessários em muitos casos e não devem ser ignorados. A misericórdia divina existe, mas se ele não achasse que o homem poderia nos ajudar com conhecimento da medicina, não teria dotado alguns com essa capacidade e habilidade. O poder da mente e da alimentação também têm sua importância, nada está dissociado quando se tratade saúde, todavia, não podemos achar que vai haver um caminho milagroso que de repente vai nos aliviar e todos sintomas que foram causados por uma conjução de fatores.
Nenhum problema de saúde mental vem da noite para o dia, e, ele vai se alimentando do nosso ambiente interno, de nossos pensamentos, de nossos medos, de nosso estado geral de saúde física, frente a isso, não é da noite para o dia que ele também irá embora como uma febre, merece cuidado e compreensão.
Cautela, quando alguém lhe oferece atalhos para resolução de seus problemas, podem ser mais um elemento de retardo na sua recuperação.
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Sucesso é igual a perseverança
Eu tinha 9 anos quando ganhei uma medalha conferida pela melhor redação da escola. Era uma escola pública do interior de Minas.
Naquela época eu fiquei realmente feliz. Depois disso,acreditei que poderia escrever e que seria fácil. Para variar, não foi bem assim que aconteceu. Eu e minha família nos mudamos de cidade, para uma cidade maior, e a criançada dessa cidade tinha muito mais estímulos que eu, mais acesso a informações e eu comecei a ver que as coisas não seriam tão fáceis. Vez por outra ainda conseguia escrever uma ou outra boa redação.
Na adolescência, eu mantinha uma espécie de diário. Escrevia alguns textos, contestava, parecia levar jeito para crônicas. Pensei em fazer jornalismo, e muitas vezes sonhava em ser escritora.
Isso nunca aconteceu. E por quê? Hoje, olhando com mais discernimento vejo que não aconteceu porque eu na verdade nunca comecei de verdade. Talvez estivesse acreditando que os duendes ou o coelhinho da páscoa fosse fazer todo esse processo mais fácil. Ai, quanta ingenuidade! Talento, ainda que eu pudesse ter algum, sem esforço, disciplina não levam a lugar algum.
Existe muita gente por aí assim. Têm talento, e passam a vida muitas vezes divertindo os outros numa reunião social porque não conseguiu ir além disso.
Não, não haverá uma fonte ininterrupta com inspirações tornando alguém genial.
Outro dia ouvi o professor Cortella citando Paulo Freire que dizia que não se podia passar um dia sem uma linha. Se referindo ao fato de que ainda que escrevesse coisas sem nexo que se escrevesse. é É preciso um exercício diário para que algo bom se torne excelente.
Se há algum talento , ou maior facilidade para executar uma tarefa, certamente, quanto mais a praticar melhor ela ser feita.
Se quer ter sucesso precisa perseverar.
Naquela época eu fiquei realmente feliz. Depois disso,acreditei que poderia escrever e que seria fácil. Para variar, não foi bem assim que aconteceu. Eu e minha família nos mudamos de cidade, para uma cidade maior, e a criançada dessa cidade tinha muito mais estímulos que eu, mais acesso a informações e eu comecei a ver que as coisas não seriam tão fáceis. Vez por outra ainda conseguia escrever uma ou outra boa redação.
Na adolescência, eu mantinha uma espécie de diário. Escrevia alguns textos, contestava, parecia levar jeito para crônicas. Pensei em fazer jornalismo, e muitas vezes sonhava em ser escritora.
Isso nunca aconteceu. E por quê? Hoje, olhando com mais discernimento vejo que não aconteceu porque eu na verdade nunca comecei de verdade. Talvez estivesse acreditando que os duendes ou o coelhinho da páscoa fosse fazer todo esse processo mais fácil. Ai, quanta ingenuidade! Talento, ainda que eu pudesse ter algum, sem esforço, disciplina não levam a lugar algum.
Existe muita gente por aí assim. Têm talento, e passam a vida muitas vezes divertindo os outros numa reunião social porque não conseguiu ir além disso.
Não, não haverá uma fonte ininterrupta com inspirações tornando alguém genial.
Outro dia ouvi o professor Cortella citando Paulo Freire que dizia que não se podia passar um dia sem uma linha. Se referindo ao fato de que ainda que escrevesse coisas sem nexo que se escrevesse. é É preciso um exercício diário para que algo bom se torne excelente.
Se há algum talento , ou maior facilidade para executar uma tarefa, certamente, quanto mais a praticar melhor ela ser feita.
Se quer ter sucesso precisa perseverar.
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terça-feira, 26 de maio de 2015
Do nada, nada se cria
Quanta vida foi necessária viver para entender que nada se cria do nada.
Eu olhei por muito tempo, embevecida, as vitrines da vida, as criações que encantavam e ignorei o longo caminho que se leva para uma ideia criativa aparecer. Achava que alguns nasciam simplesmente iluminados. Não é bem assim!
Antes de uma grande inspiração, invenção ou criação que mudou o curso da história, houve uma jornada de outros tantos que vieram fazendo tentativas, muitas vezes colhendo muitos fracassos. E sequer vão aparecer na foto junto com quem finalizou o trabalho.
Mas esses seres merecem sempre reverência. Por nunca desistirem.
Hoje sei que quem fez a diferença, não foram os geniais, mas sim os persistentes e que nem os iluminados tiraram luz do vácuo. Alguém começou com um primeiro, passo e outro aperfeiçoou mais um pouquinho, em seguida, outro acrescentou algo mais e um dia a luz se fez.
Portanto, desistir não vai fazer com que algo cai pronto nas mãos de ninguém. Se queremos algo, vamos ter que aprender a viver com os erros, nos perdoarmos por eles, seguir em frente e continuar buscando.

(Fonte da imagem: http://www.conscienciaampla.com.br/wp-content/uploads/2014/01/lampada-acesa-2703.jpg)
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domingo, 24 de maio de 2015
Coisas lá de Minas
Só agora, consigo valorizar essa situação de mineira. Aos onze anos eu e minha família nos mudamos para interior do Rio de Janeiro. As crianças que de nada têm de puras e doces, passavam tempo todo rindo do meu jeito de falar. E quando eu ia pra Minas, me achavam esnobe porque o sotaques já estavam todos misturados. Levaram cerca de três décadas para eu perceber que não havia cultura superior ou inferior, apenas culturas diferentes.
Andei meio "despatriada" por tempos porque não me situava em lugar algum, curiosamente, fui encontrar-me mineira em São Paulo, onde todos os diversos se reúnem. Foi lá que aprendi a comer pão de queijo e a comer pamonha.
Ás vezes é preciso estar longe para ver melhor.
Hoje busco saber mais sobre minha gente, sobre seus costumes. Acho graça com lembranças de crendices praticadas só lá.
Cada lugar tem peculiaridades só suas e Drummond resolveu ressaltar o sotaque da mineira. Eis o texto a seguir:
O sotaque das mineiras .
Carlos Drummond de Andrade
O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar lindo (das mineiras) ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque!
Mineira deveria nascer com tarja preta avisando:
ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso?
Assino achando que ela me faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem abandoná-las no meio do caminho, não dizem:
pode parar, dizem: 'pó parar'.
Não dizem: onde eu estou?, dizem: 'ôncôtô'.
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem lingüisticamente falando, apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não.
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade.
Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz ou jogador de futebol.
Mineiras não usam o famosíssimo 'tudo bem'.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra:
- 'Cê tá boa?'.
Para mim, isso é pleonasmo.
Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.
Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer:
- 'Mexe' com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc.).
O verbo 'mexer', para os mineiros, tem os mais amplos significados..
Quer dizer, por exemplo, trabalhar.
Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido.
Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir.
Aqui ninguém consegue nada.
Você não dá conta.
'Sôcê' (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:
- 'Aqui', não vou dar conta de chegar na hora, não, 'sô'.
Esse 'aqui' é outro que só tem aqui.
É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase.
É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção.
É uma forma de dizer:
- Olá, me escutem, por favor.
É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras também não dizem apaixonada por.
Dizem, sabe-se lá por que, 'apaixonada com'.
Soa engraçado aos ouvidos forasteiros.
Ouve-se a toda hora:
- Ah, eu apaixonei 'com' ele...
Ou: Sou doida 'com' ele (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).
Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.
Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe.
É um tal de 'bonitim', 'fechadim', e por aí vai.
Já me acostumei a ouvir:
- E aí, 'vão?'. Traduzo:
- E aí, vamos?
Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma mineira.
Não ouvirá nunca.
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira.
Nada pessoal.
Aqui certas regras não entram.
São barradas pelas montanhas.
Por exemplo, em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:
- Eu preciso 'de' ir.
Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta.
Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe.
Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante.
Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum.
Entendam...
Você não precisa ir, você precisa 'de' ir.
Você não precisa viajar, você precisa 'de' viajar.
Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:
- Ah, mãe, eu preciso 'de' ir?
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um 'tanto de coisa'.
O supermercado não estará lotado, ele terá um 'tanto de gente'.
Se a fila do caixa não anda, é porque está 'agarrando' lá na frente.
Entendeu?
Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:
- 'Ai, gente, que dó'.
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.
Não vem 'caçar confusão' pro meu lado.
Porque devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro 'caça confusão'.
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele 'vive caçando confusão'.
Para uma mineira falar que algo é muitíssimo bom vai dizer:
- 'Ô, é sem noção'.
Entendeu?
É 'sem noção!
' Só não esqueça, por favor, o 'Ô' no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção,
entendeu?
Capaz...
Se você propõe algo ela diz:
- 'Capaz'!!!
Vocês já ouviram esse 'capaz'?
É lindo.
Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso!?'
Com algumas toneladas de ironia...
Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá:
-'Ô dó dôcê'.
Entendeu?
Não?
Deixa para lá.
É parecido com o 'nem...'.
Já ouviu o 'nem...?
' Completo ele fica:
- Ah, 'nem'...
O que significa?
Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum.
Você diz:
- Meu amor, 'cê' anima 'de' comer um tropeiro no Mineirão?
Resposta:
- 'Nem...'.
Ainda não entendeu?
Uai, nem é nem.
A propósito, um mineiro não pergunta:
- Você não vai?
A pergunta, mineiramente falando, seria:
- 'Cê' não anima 'de' ir?
Tão simples.
O resto do Brasil complica tudo.
É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...
Falando em 'ei...'.
As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o 'ei' no lugar do 'oi'.
Você liga, e elas atendem lindamente:
- 'Eiiii!!!', com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...
Tem tantos outros...
O plural, então, é um problema.
Um lindo problema, mas um problema.
Sou, não nego, suspeito.
Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.
Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar:
- Ah, fui lá comprar umas coisas...
- 'Que' s coisa?' - ela retrucará.
O plural dá um pulo.
Sai das coisas e vai para o que.
Ouvi de uma menina culta um 'pelas metade', no lugar de 'pela metade'.
E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa,confidenciará:
- Ele pôs a culpa 'ni mim'.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas.
Ontem, uma senhora docemente me consolou:
'preocupa não, bobo!'.
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam.
Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim.
A fórmula mineira é sintética.
E diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado.
Ninguém diz tchau pura e simplesmente.
Aqui se diz: 'tchau pro cê', 'tchau pro cês'.
É útil deixar claro o destinatário do tchau.
Trem bão tambem demais sô....
Porque, Deus, que sotaque!
Mineira deveria nascer com tarja preta avisando:
ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso?
Assino achando que ela me faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem abandoná-las no meio do caminho, não dizem:
pode parar, dizem: 'pó parar'.
Não dizem: onde eu estou?, dizem: 'ôncôtô'.
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem lingüisticamente falando, apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não.
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade.
Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz ou jogador de futebol.
Mineiras não usam o famosíssimo 'tudo bem'.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra:
- 'Cê tá boa?'.
Para mim, isso é pleonasmo.
Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.
Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer:
- 'Mexe' com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc.).
O verbo 'mexer', para os mineiros, tem os mais amplos significados..
Quer dizer, por exemplo, trabalhar.
Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido.
Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir.
Aqui ninguém consegue nada.
Você não dá conta.
'Sôcê' (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:
- 'Aqui', não vou dar conta de chegar na hora, não, 'sô'.
Esse 'aqui' é outro que só tem aqui.
É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase.
É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção.
É uma forma de dizer:
- Olá, me escutem, por favor.
É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras também não dizem apaixonada por.
Dizem, sabe-se lá por que, 'apaixonada com'.
Soa engraçado aos ouvidos forasteiros.
Ouve-se a toda hora:
- Ah, eu apaixonei 'com' ele...
Ou: Sou doida 'com' ele (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).
Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.
Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe.
É um tal de 'bonitim', 'fechadim', e por aí vai.
Já me acostumei a ouvir:
- E aí, 'vão?'. Traduzo:
- E aí, vamos?
Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma mineira.
Não ouvirá nunca.
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira.
Nada pessoal.
Aqui certas regras não entram.
São barradas pelas montanhas.
Por exemplo, em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:
- Eu preciso 'de' ir.
Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta.
Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe.
Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante.
Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum.
Entendam...
Você não precisa ir, você precisa 'de' ir.
Você não precisa viajar, você precisa 'de' viajar.
Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:
- Ah, mãe, eu preciso 'de' ir?
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um 'tanto de coisa'.
O supermercado não estará lotado, ele terá um 'tanto de gente'.
Se a fila do caixa não anda, é porque está 'agarrando' lá na frente.
Entendeu?
Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:
- 'Ai, gente, que dó'.
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.
Não vem 'caçar confusão' pro meu lado.
Porque devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro 'caça confusão'.
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele 'vive caçando confusão'.
Para uma mineira falar que algo é muitíssimo bom vai dizer:
- 'Ô, é sem noção'.
Entendeu?
É 'sem noção!
' Só não esqueça, por favor, o 'Ô' no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção,
entendeu?
Capaz...
Se você propõe algo ela diz:
- 'Capaz'!!!
Vocês já ouviram esse 'capaz'?
É lindo.
Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso!?'
Com algumas toneladas de ironia...
Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá:
-'Ô dó dôcê'.
Entendeu?
Não?
Deixa para lá.
É parecido com o 'nem...'.
Já ouviu o 'nem...?
' Completo ele fica:
- Ah, 'nem'...
O que significa?
Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum.
Você diz:
- Meu amor, 'cê' anima 'de' comer um tropeiro no Mineirão?
Resposta:
- 'Nem...'.
Ainda não entendeu?
Uai, nem é nem.
A propósito, um mineiro não pergunta:
- Você não vai?
A pergunta, mineiramente falando, seria:
- 'Cê' não anima 'de' ir?
Tão simples.
O resto do Brasil complica tudo.
É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...
Falando em 'ei...'.
As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o 'ei' no lugar do 'oi'.
Você liga, e elas atendem lindamente:
- 'Eiiii!!!', com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...
Tem tantos outros...
O plural, então, é um problema.
Um lindo problema, mas um problema.
Sou, não nego, suspeito.
Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.
Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar:
- Ah, fui lá comprar umas coisas...
- 'Que' s coisa?' - ela retrucará.
O plural dá um pulo.
Sai das coisas e vai para o que.
Ouvi de uma menina culta um 'pelas metade', no lugar de 'pela metade'.
E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa,confidenciará:
- Ele pôs a culpa 'ni mim'.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas.
Ontem, uma senhora docemente me consolou:
'preocupa não, bobo!'.
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam.
Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim.
A fórmula mineira é sintética.
E diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado.
Ninguém diz tchau pura e simplesmente.
Aqui se diz: 'tchau pro cê', 'tchau pro cês'.
É útil deixar claro o destinatário do tchau.
Trem bão tambem demais sô....
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INVEJA
Eu sou invejosa!
Qual não foi a surpresa que tive ao descobrir o quanto posso ser invejosa!
Segundo Leandro Karnal, que fala de forma muito clara em sua palestra sobre a inveja, ela seria um pecado envergonhado, já que ninguém quer confessar. Se orgulham da luxúria, da gula e até da preguiça. Mas inveja? nunca!
A inveja e cobiça são diferentes. Depois de bem explicadinho, não parece tão mau que desejemos ter algo que o outro alcançou, mas é realmente reprovável se entristecer com a alegria de outro.
Ninguém está livre de sentir inveja, é o único consolo que me resta por ser invejosa, não ser a única. O problema é ignorar tudo isso , ou negar. Quando você toma consciência da inveja que mora em você, começa a prestar atenção e a questionar seus julgamentos. E então aquela pessoa passa a não ser bem daquele jeito que você poderia jurar que era.
Dr. Ivan Capelatto nos relata que a inveja está presente desde que somos bem pequenos, quando por exemplo, uma criança por volta de um ano e meio cheia de brinquedos, mas não está brincando com nenhum. Mas se chegar outra e encontrar um que goste, logo será repreendida pelo dono do brinquedo que mal sabe falar, mas dirá "meu". Muitos pensariam que isso é posse, mas na verdade já é a inveja se manifestando em tenra idade.
É triste admitir que invejamos. Porém pior é não aprender a lidar com isso e tornar o seu próprio mundo e o dos outros infernal por um sentimento de tristeza, pelo que o outro conquista, ou mesmo já tem por compleição.
A seguir deixo um vídeo que nos dão mais embasamento teórico sobre esse tema. É uma palestra que apesar de ter um pouco mais de duas horas de duração, elas nos traz momentos de reflexão e riso. Dr. Karnal tem um humor refinado.
Segundo Leandro Karnal, que fala de forma muito clara em sua palestra sobre a inveja, ela seria um pecado envergonhado, já que ninguém quer confessar. Se orgulham da luxúria, da gula e até da preguiça. Mas inveja? nunca!
A inveja e cobiça são diferentes. Depois de bem explicadinho, não parece tão mau que desejemos ter algo que o outro alcançou, mas é realmente reprovável se entristecer com a alegria de outro.
Ninguém está livre de sentir inveja, é o único consolo que me resta por ser invejosa, não ser a única. O problema é ignorar tudo isso , ou negar. Quando você toma consciência da inveja que mora em você, começa a prestar atenção e a questionar seus julgamentos. E então aquela pessoa passa a não ser bem daquele jeito que você poderia jurar que era.
Dr. Ivan Capelatto nos relata que a inveja está presente desde que somos bem pequenos, quando por exemplo, uma criança por volta de um ano e meio cheia de brinquedos, mas não está brincando com nenhum. Mas se chegar outra e encontrar um que goste, logo será repreendida pelo dono do brinquedo que mal sabe falar, mas dirá "meu". Muitos pensariam que isso é posse, mas na verdade já é a inveja se manifestando em tenra idade.
É triste admitir que invejamos. Porém pior é não aprender a lidar com isso e tornar o seu próprio mundo e o dos outros infernal por um sentimento de tristeza, pelo que o outro conquista, ou mesmo já tem por compleição.
A seguir deixo um vídeo que nos dão mais embasamento teórico sobre esse tema. É uma palestra que apesar de ter um pouco mais de duas horas de duração, elas nos traz momentos de reflexão e riso. Dr. Karnal tem um humor refinado.
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O dom
Hoje tive de sair cedo, numa empreitada, nova de vida aos 41 anos, encarar o trânsito numa scooter. Ainda tenho reminiscências do terror que era pensar em pegar no volante. Foram longos seis anos desde que peguei a habilitação e enfim encarei a estrada. Depois de treino e mais treino na auto-escola. Já li que há uma correlação de como dirigimos a vida e encaramos a direção de um carro. Lastimável ver quem em alguns momentos a nossa vida se revela caótica. Mas o importante é não desistir.
Vou continuar enfrentando o trânsito. Agora num arremedo de moto elétrica de criança, só que para adultos.
Porém essa nova situação me fez pensar em outras tantas da vida e no motivo que dei esse título ao blog: Não era bem assim. Por muitas vezes me senti frustrada ou diminuída, por que via as pessoas conseguirem fazer coisas ordinárias , no sentido de comuns, e pra mim, uma imensa dificuldade. Pessoas, que à vezes nem se davam ao trabalho de refletir sobre o que estavam fazendo e faziam muito bem. Enquanto eu, que pesquisava, buscava métodos de melhorias, total fiasco!
Um dia, na minha eterna busca poe esclarecimentos, assistia uma palestra no youtube, do Dr. Mário Sérgio Cortella, infelizmente agora não me recordo qual, mas ele tratava da questão do dom a certa altura da palestra. E contava que o Pelé, em suas extraordinárias atuações, contava com um dom, o Dondinha, o seu pais, que após os treinos o fazia ficar mais duas horas treinando jogadas e olhar direto para o sol, para que não perdesse cabeciadas em dias que fosse jogar com o sol a pino.
Aqueles grandes oradores que conseguem prender minha total atenção enquanto falam , muitas vezes de coisas corriqueira, que eu poderia ter fácil informação, no entanto, eles deram uma roupagem tão bonita... Nenhum deles sequer nasceu sabendo falar. Ou seja, houve um longo tempo de preparo, de insistência em melhorar.
Assim deveria ser nossa postura diante da vida.Talvez o grande problema seja essa velocidade exigida nos tempos atuais, não nos permitem muitas tentativas, querem tudo para ontem. Contudo sempre que encontrar alguém lamentando suas dificuldades ou alegando incapacidades, vou dizer: se eu consigo, se tantos por aí com menos habilidade, e até deficiência conseguem, você também pode. Tem que insistir. Pode ser que precise dar uma parada para tomar fôlego, mas precisa insistir.
Vou continuar enfrentando o trânsito. Agora num arremedo de moto elétrica de criança, só que para adultos.
Porém essa nova situação me fez pensar em outras tantas da vida e no motivo que dei esse título ao blog: Não era bem assim. Por muitas vezes me senti frustrada ou diminuída, por que via as pessoas conseguirem fazer coisas ordinárias , no sentido de comuns, e pra mim, uma imensa dificuldade. Pessoas, que à vezes nem se davam ao trabalho de refletir sobre o que estavam fazendo e faziam muito bem. Enquanto eu, que pesquisava, buscava métodos de melhorias, total fiasco!
Um dia, na minha eterna busca poe esclarecimentos, assistia uma palestra no youtube, do Dr. Mário Sérgio Cortella, infelizmente agora não me recordo qual, mas ele tratava da questão do dom a certa altura da palestra. E contava que o Pelé, em suas extraordinárias atuações, contava com um dom, o Dondinha, o seu pais, que após os treinos o fazia ficar mais duas horas treinando jogadas e olhar direto para o sol, para que não perdesse cabeciadas em dias que fosse jogar com o sol a pino.
Aqueles grandes oradores que conseguem prender minha total atenção enquanto falam , muitas vezes de coisas corriqueira, que eu poderia ter fácil informação, no entanto, eles deram uma roupagem tão bonita... Nenhum deles sequer nasceu sabendo falar. Ou seja, houve um longo tempo de preparo, de insistência em melhorar.
Assim deveria ser nossa postura diante da vida.Talvez o grande problema seja essa velocidade exigida nos tempos atuais, não nos permitem muitas tentativas, querem tudo para ontem. Contudo sempre que encontrar alguém lamentando suas dificuldades ou alegando incapacidades, vou dizer: se eu consigo, se tantos por aí com menos habilidade, e até deficiência conseguem, você também pode. Tem que insistir. Pode ser que precise dar uma parada para tomar fôlego, mas precisa insistir.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Amor na Era da Sobrecarga
Ao ouvir o psicanalista Ivan Capellato, na palestra que se seguirá, houve em mim uma espécie de redenção.
É muito bom poder compreender que algo não acontece somente com você.Numa fala muito divertida, com toques de ironias o terapeuta vai esmiuçando como se dão as fases do desenvolvimento humano e como são travadas suas relações afetivas. Desvendando algumas patologias afetivas, como a psicose e a psicopatia e a neurose que não vem a ser um mal. Ele nos dá pistas do que viria a ser uma relação saudável. E, naturalmente, mostrando que amor saudável não vem pré-fabricado, é construído no dia a dia e com paciência.
Segundo o psicanalista, só pode existir amor, quando existe o medo da perda. Naturalmente, não o medo que paralisa ou aprisiona. É tranquilizador quando você se entende que você não é a única pessoa no mundo que sente todo esse misto de sentimento como raiva, mesmo amando muito, sente desespero, quando tem que cuidar do filho pequeno, que mais parece um monstrinho, pois Capelatto não trata apenas de um tipo de amor. Enfim, há um alívio muito grande em não se sentir só, num torvelinho de emoções que envolve o tão desejado amor.
Vale a pena dar atenção à seguinte fala do Dr. Capellato.
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